sábado, 21 de agosto de 2010

FOTOS DA CONVENÇÃO DE BRUXAS!

por Eddie Van Feu

A Convenção de Bruxas de Paranapiacaba foi tudo de bom e você já pode curtir as fotos! O evento, realizado pela Casa de Bruxa e Tânia Gori, foi mais um sucesso e promete muitas novidades para sua próxima edição, já marcada para 13 de maio de 2011! Tivemos palestra, ritual de abertura para o Reino dos Dragões, desfile de moda bruxesca com a Black Cat e muita risada e foto no estande da Linhas Tortas, onde a galera compareceu pra conferir as novidades.

CLIQUE AQUI PARA VER MAIS FOTOS!

Com a Convenção crescendo, algumas pessoas ficaram insatisfeitas (especialmente quando não são convidadas...) e jogam um olho gordo em cima... Mas a Tânia sabe muito bem cortar essa energia ruim! Ainda mais quando ela tem energia positiva de sobra!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

FESTIVAL DE NÊMESIS E PATUÁ DE PROTEÇÃO


Hoje é o primeiro dia do Festival de Nêmesis, a deusa grega do destino. Acenda uma vela negra para Nêmesis e um incenso de sua preferência. Compre um novelo de lã e vá enrolando em seus dedos, livrando-se de qualquernós que surja. Conforme for fazendo isso, peça a Nêmesis para desembaraçar a parte da sua vida que está confusa e mostrar-lhe a solução. Quando terminar de enrolar a lã nos quatro dedos, retire-a e deixe aos pés da vela. Faça esse ritual por três dias. É ótimo para desembaraçar e desenrolar qualquer área da sua vida. Pra quem quer um patuá bem poderoso, dica de um dos lupinos que frequentam a Alcateia, é só dar uma clicada no Mundo de Eddie.


E é nesse sábado que vamos aprender um pouco mais sobre as dimensões que nos cercam, os ataques noturnos que sofremos e como nos defendermos de seres vampíricos de toda espécie. Este é um curso dos Cavaleiros da Rosa, mas é aberto a quem se interessar pelo tema. E fique esperto para nosso Módulo Lápis Lazúli em Sampa, dias 11 e 12 de setembro, com esoterismo gráfico e mais magia dos dragões! Anote!

Workshop Conhecendo Outras Dimensões (RJ)
Quando: dia 28 de agosto de 2010, de 10 às 14 horas
Onde: Portal Violeta
Rua Pinto de Figueiredo, 67 - Saens Peña (duas quadras depois da saída do metrô, perto da loja Marisa e na frente do Spoleto)
Investimento: R$62,00
Telefone para confirmações: 3872-4971

Módulo Lápis Lazuli - Esoterismo Gráfico e Magia dos Dragões 2
(SP)
Quando: dias 11 e 12 de setembro de 2010, aulas de manhã e de tarde. Onde: Espaço Faces da Lua Rua Colônia da Glória, 414 - Vila Mariana - São Paulo - SP Tel.: (11) 2306-1751 Explicação: Descer a Av. Lins de Vasconcelos (Metrô Vila Mariana) e entrar na terceira rua a direita (Rua Tubarana). No final dela, basta virar a esquerda e caminhar até o espaço. Ligue para confirmar sua presença.

Investimento: Cada aula é independente, assim como os rituais. O pagamento de duas ou quatro aulas do mesmo módulo dá descontos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A INCRÍVEL ESCOLA DE MAGIA


Tudo é muito incerto, tudo é tão estranho...

Já está nas bancas (ou livrarias) um livro (ou revista) que a Eddie fez no ano passado e só a agora a Editora Escala (ou outra editora) lançou no mercado! A INCRÍVEL ESCOLA DE MAGIA DE EDDIE VAN FEU (que quando a gente fez tinha outro nome) é voltada para um público ainda aspirante à magia. Ela traz uma introdução à Wicca para jovens com ilustrações coloridas das irmãs Usagi e capa da Débora (ou Adriana) Usagi com colorização da Carolina Mylius.

A galera que frequenta aqui o site deve conhecer de cor os ensinamentos, mas este livro é uma ótima dica de presente para a garotada (e para os pais perderem o medo da tal da "Wilca" e pararem de tacar fogo nos livros dos filhos).

Nossos agradecimentos a cabeçada aqui do Alcatéia que nos avisou desse super lançamento (porque ninguém na Escala fala porra nenhuma pra gente sobre nada!).

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

LEANAN SIDH, a Fada Vampira

por Ricky Nobre
Este belo ser sinistro é envolto em mistérios,confusões, sincretismos e sombras. Características diversas se entrecruzam, a ponto de alguns considerarem que ligeiras diferenças de nomes referem-se a criaturas totalmente diferentes, dependendo da região. A concepção mais comum da Leanan Sidhe hoje é a de uma fada com poderes de musa, capaz de inspirar artistas a terem enorme sucesso, porém condenando-lhes a uma vida curta. A forma mais luminosa e menos cruel deste ser (cuja origem mais provável é celta) é sua versão irlandesa, cujo nome é exatamente Leanan Sidhe. Ela seria inspiradora de poetas, cantores e todos os artistas. Um “espírito de vida”, assim como sua irmã Bean Sidhe (uma das versões da popular Banshee) seria o arauto da morte. O encontro do poeta com sua musa confunde-se com o aisling, um estilo literário muito popular na Irlanda dos séculos XVII e XVIII. Nele, o poeta, ao andar por uma colina, tinha a visão do próprio espírito da Irlanda na forma de uma mulher, ora bela e luminosa, ora feia e acabada. O aisling tornou-se um estilo de forte cunho político, pois comumente a jovem em sua visão lamentava o estado da nação irlandesa e prenunciava a volta de seus tempos gloriosos.

Outra forma desta fada aparece na Ilha de Man, pequeno estado independente do Reino Unido que quase ninguém conhece, mas que é o berço de uma das interpretações mais comuns deste ser. Chamada de Leanhaun Shee, ela também é inspiradora de artistas. Permanecendo invisível para todos os outros, ela aparece para quem ela escolhe com uma beleza inconcebível, tão deslumbrante que é quase impossível resistir a ela. Ela concede inspiração para o artista executar grandes obras, alimentando-se da emoção emanada dele. Aqui começam divergências.
Alguns consideram que seja um trato simples entre as partes: inspiração em troca da emoção profunda da qual ela se alimenta. Outros sustentam que ela se alimenta de fato da força vital do artista, levando-o à morte certa em um certo prazo de tempo. Neste caso, a característica vampírica está presente, não pela drenagem de sangue, mas da própria energia de vida. Após a morte do homem, a fada o carregaria para seu reino.

A etimologia do nome já abre as portas para outras características conhecidas da fada. Tanto as formas Leanhaum Shee quanto Leanan Sidhe significam “fada-amante” ou “fada-namorada”. Alguns tradutores apontam a palavra de origem galesa leanan como sendo “amor de minha alma e espírito” ou “minha inspiração”, dentre outras possíveis que incluem “concubina” e “favorita”. Sidhe é a palavra para “fada” e refere-se geralmente a seres encantados, denominando também um povo antigo que teria ocupado as “Terras Verdes” muitos e muitos anos antes do aparecimento do povo irlandês.

A fada teria, então, o hábito de tomar o artista como amante. A morte prematura do artista poderia ser, segundo outras interpretações, uma profunda e desesperadora tristeza nascida do amor pela musa e, principalmente, da falta que ela faria quando fosse abandonado por ela, abrindo uma possibilidade bem diferente e interessante, já que a fada não o drenaria até a morte, e mostrando que é possível que ela perca o interesse por ele. É muito curiosa a interpretação que aparece dando conta da responsabilidade do artista na perda de sua musa, numa simbologia fascinante sobre a morte (real ou figurada) de todos que fazem arte ao não honrarem seu compromisso com este que seria um “dom” divino. Também dá suporte à teoria de que ela não seria um espírito maléfico, já que a morte vem dos próprios medos e obsessões do artista e não de ações diretas da Leanan Sidhe.

Esta visão da Leanan Sidhe, onde ela domina um homem e o consome até a morte, deriva, provavelmente, de um cruzamento com o mito da sucubus. A teoria mais provável aponta que foi a Igreja Católica, em sua cruzada para converter toda a Europa, que amalgamou o mito da Leanan com o da sucubus (muito popular na época) com o objetivo de demonizá-la e enfraquecer a relação dos povos de origem celta com suas divindades. Isso, na verdade, aconteceu com boa parte das fadas da cultura celta, transformadas em algo muito parecido com as sucubus pela Igreja. Com o tempo, características vampíricas foram se tornando mais e mais presentes. Acredita-se que ela não bebe o sangue das vítimas, mas o armazena em seu caldeirão, que seria a fonte de sua beleza e seu poder de inspirar.

Outras vertentes dizem que ela suga o sangue de pessoas comuns para se alimentar, mas de seus artistas escolhidos suga sua força vital, levando-os à morte. Ainda dentro desta vertente mais sinistra, existe uma versão que afirma que, apesar de dotada de uma beleza incomensurável, é possível, sim, resistir à sua sedução. Se isso acontecer, ela se torna escrava daquele que deveria ter sido sua vítima. Mas se o artista cair em seus encantos, diz-se que a única forma de escapar com vida é encontrar outro para colocar em seu lugar. De fato, seria a única escapatória, já que a morte não lhe traria alívio, pois ele seria carregado por Leanan para seu mundo.Por outro lado, diz-se também que a Leanan desenvolve muitas vezes um instinto de proteção em relação ao artista que inspira. Essa relação pode até mesmo chegar ao ponto em que a fada se apaixonaria pelo seu protegido. Sua beleza seria a real fonte de seu poder inspirador, levando seus amantes-artistas a produzirem obras invariavelmente sobre amor, desejo e desespero.Existem também vários relatos desta fada tomando a forma humana e sendo capaz de inspirar homens para a guerra. Uma história tradicional ligada a Leanan Sidhe dá conta de sua influência com o Rei Eugene de Munster. Tomando a forma humana e assumindo a identidade de uma poetiza chamada Eodain, ela teria inspirado o Rei de tal forma que ele foi capaz de derrotar completamente seus inimigos. Após isso, ele teria se entregado à luxúria e aos prazeres mundanos. Abandonou seu reino, mudou-se para a Espanha, onde constituiu família. Voltando ao seu reino depois de nove anos, encontrou seu povo passando fome, enquanto alguns poucos banqueteavam em seu castelo.

Mesmo tentando livrar o povo desta condição, este não mais confiava no rei que os abandonara. Procurando novamente Eodain, o rei pediu por auxilio e ela foi capaz de inspirá-lo com seu poder de poetiza e de profeta, levando Eugene à vitória e restabelecendo a ordem em seu reino. O tempo e as diferenças vão modificando até mesmo as interpretações mais suaves deste mito. A mesma cultura irlandesa que a via como um espírito inspirador virtualmente inofensivo, hoje a vê como um ser vampírico, chegando até mesmo a identificar seu nome como se referindo também a outra criatura, a Dearg-due, cujo nome se traduziria como “sugadora de sangue vermelho”. Chega-se até a considerá-la uma morta-viva, desconsiderando totalmente sua tradição como fada, um ser descendente dos Sidhe, de outros mundos encantados. Ela também confunde-se com Aine, ao lhe ser atribuído o título de “Namorada dos Sidhe”. Aine seria a filha do deus Manannan mac Lir ou, segundo outras vertentes, sua esposa. Neste caso, ela seria a filha de Morrigu, que possuía a Cathair Aine, uma pedra capaz de causar loucura. Essa relação é curiosa, pois remete à obsessão dos amantes de Leanan Sidhe, uma vez que, segundo algumas versões, a única alternativa à morte nas mãos da fada seria justa mente a loucura. Feixes de palha são queimadas em sua homenagem na noite de São João na Irlanda.

Com tantas variações e sincretismos, a visão mais comum da Leanan Sidhe hoje em uss diua é um amálgama de praticamente todas essas características: ela é uma fada, uma vampira e uma musa, capaz de iluminar os artistas com sua beleza e inspiração esplendorosas, sendo, ainda assim, um ser envolto em escuridão. Em última instância, Leanan Sidhe parece ser fruto do mito envolvendo o próprio artista e seu processo criativo. Os poetas galeses da idade média, famosos por suas vidas curtas e intensas, não diferem nada de mitos modernos como James Dean e Kurt Cobain. O estereótipo do artista sofrido, infeliz, agoniado e brilhante ainda faz parte do imaginário mundial, alimentado por esses grandes ídolos, exceções que, por sua enorme projeção, importância e relevância, viram regra. E uma musa que inspira obras primas em troca da vida, corpo e alma do artista é mais uma bela, assombrosa, terrível e trágica história de amor.

Amanhã, DIA DOS VAMPIROS, tem Podcast especial sobre eles, heim!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Os eslavos do sul e os vampiros reais


Por Ricky Nobre

Continuamos com nossa Semana dos Vampiros. Ontem demos uma visão geral da mitologia vampírica dos povos eslavos. Agora, nos deteremos em algumas particularidades dos eslavos de sul, na região da Albânia e da antiga Iugoslávia, cujo território compreendia os antigos países da Croácia, Bósnia e Herzegóvina, Sérvia, Eslovênia e partes da Macedônia, culminando nos dois casos de vampiros oficialmente documentados mais famosos de que se tem notícia.

É justamente na região da antiga Iugoslávia que reside a provável origem de todo o folclore em torno do vampiro eslavo. Durante a conquista cristã nos séculos IX e X, a igreja tentou reprimir essas crenças, mas se viu obrigada a absorvê-las de certa forma. Os adeptos do islamismo (concentrados na Bósnia) eram mais flexíveis a essas crenças. Diversas palavras eram usadas em cada língua para designar vampiros, como umas das prováveis origens, o termo obyrbi. Mas alguns designavam tipos de vampiros específicos. O tenatz era um vampiro original do país Montenegro e era identificado como um morto que foi possuído por espíritos malignos. Ele vagava à noite sugando o sangue de pessoas durante o sono e era capaz de se transformar em camundongo para entrar e sair de sua sepultura. Para localizar um tenatz era necessário levar um cavalo preto para o cemitério. Montado por um menino pré-púbebre ou por uma menina virgem, o cavalo seria repelido pelo túmulo onde jazia um tenatz, pois não conseguia passar por cima da cova. Identificado, o túmulo era aberto e o corpo atravessado por uma estaca e queimado. Na Albânia havia um costume semelhante, sendo que o cavalo deveria ser branco. Uma das formas de identificar um vampiro na Croácia era pela a emissão de sons de animais vindo de túmulos. Se o cadáver estivesse virado para baixo e muito inchado a ponto de esticar exageradamente a pele, então se tratava mesmo de um vampiro.

Existiram figuras análogas à strega, a bruxa sugadora de sangue, conhecida como strigoi pelos romenos. Uma variação dela em Montenegro é a vjezhtitza, uma bruxa que permanecia incógnita numa comunidade. Dizia-se que, normalmente, eram mulheres mais velhas de temperamento hostil a todos. Durante o sono, era possuída por um espírito maligno que fazia sua alma vagar pela noite. Usando o pequeno corpo de uma traça ou mosca, ele entrava nas casas e sugava o sangue dos adormecidos. Em poucos dias, as vítimas tornavam-se pálidas, fracas e febris, vindo a morrer. Acreditava-se serem especialmente poderosas na primeira metade de março. Já a shtriga, a bruxa albanesa, também assumia a forma de animais para sugar o sangue dos adormecidos. Se detectada, deveria ser seguida e, para confirmar a identidade, observar se ela vomitava o sangue ingerido. Esse sangue, se colhido, podia ser usado em amuletos contra vampirismo e bruxaria. A shtriga podia ser identificada entre os membros de uma comunidade usando o seguinte método: colocando-se uma cruz feita de ossos de porco na porta de uma igreja durante a missa, observava-se se a suspeita era impedida de passar pela porta, procurando alguma outra saída segura do templo.

A região eslava, porém, passou por um período de histeria popular em relação a vampiros. Dois casos muito estranhos foram o estopim. Em 1728 morreu Peter Plogojowitz, que morava na pequena vila de Kizolova, na Sérvia. Três dias após seu funeral, ele retornou à casa, pedindo comida ao filho, que o atendeu. Dois dias depois, voltou a visitar o filho e pedir comida que, desta vez, recusou o pedido. O filho foi encontrado morto no dia seguinte. Nos dias que se seguiram, diversos vizinhos começaram a sofrer de fraqueza, que os médicos atribuíam a uma grande perda de sangue. Essas pessoas diziam ter sido visitadas por Peter durante os sonhos, onde este mordia seus pescoços. Nove pessoas morreram nessas circunstâncias. Como naquele período a Sérvia estava sob o domínio do Império Austríaco, os relatos chegaram até o comandante das forças imperiais que, perplexo, visitou pessoalmente a região. O comandante ordenou que os túmulos de todas as vítimas fossem abertos. O corpo de Plogojowitz, porém, se apresentava diferente dos demais: de olhos abertos, Peter parecia vivo, com a carne roliça e rosto corado. Sob a pele seca que descascava, pele nova surgia. Cabelos e unhas estavam crescidos e sangue fresco manchava sua boca. O comandante, convencido que se tratava de um vampiro, ordenou que o corpo fosse atravessado com uma estaca. Com o golpe, o sangue jorrou do corpo, como numa pessoa viva. A ordem seguinte, era para que o cadáver fosse queimado. Embora as supostas vítimas de Plogojowitz não tivessem traços de vampirismo, eles foram novamente enterrados com suas covas preenchidas por alho.

Um ano antes, em 1727, Arnold Paole voltou do serviço militar que prestou no que, na época, era conhecida como Sérvia Turca. Sua cidade, Medvegia, era bem próxima da vila onde ocorreria o caso de Plogojowitz. Comprou uma fazenda e ficou noivo, mas permanecia estranhamente triste, para surpresa dos que já o conheciam e o tinham como uma figura boa e honesta. Algum tempo depois, Paole confidenciaria a sua noiva o motivo de sua apreensão: durante o tempo que esteve fora, acreditava ter sido atacado por um vampiro. Ele seguiu a criatura até seu cemitério e o matou. Acreditando que isso anularia os efeitos do vampirismo, comeu terra da sepultura do vampiro e utilizou seu sangue para cuidar do ferimento. Porém, o medo de todos os cuidados não terem sido suficientes permanecia. Uma semana depois, Paole morreu em um acidente.

Semanas após seu funeral, diversas pessoas começaram a afirmar terem visto Paole. Quando quatro dessas pessoas apareceram mortas, o pânico se espalhou pela cidade. Tentando controlar os acontecimentos e o clamor popular, as autoridades locais ordenaram a abertura do caixão de Arnold Paole, quarenta dias após sua morte. Os dois cirurgiões militares que acompanharam o procedimento encontraram o corpo em estado semelhante ao de Plogojowitz: rosto corado, pele nova por baixo de uma pele seca que descascava, unhas crescidas. Ao perfurarem o corpo, o sangue fluía. Ao concluírem ser um vampiro, trataram de mata-lo. Ao esfaquearem o corpo, Arnold soltou um forte gemido, sendo depois decapitado e queimado. As quatro supostas vítimas de Paole não receberam a mesma condescendência que as de Plogojowitz tiveram: seus corpos também foram decapitados e queimados.

Tudo foi dado por encerrado até 1731, quando mais 17 pessoas da cidade morreram com sintomas de vampirismo. A dúvida permanecia, até que uma menina afirmou ter sido atacada durante a noite por Milo, um homem falecido dias antes. A situação exigiu a atenção de Carlos VI (imperador do Sacro Império Romano-Germânico, do qual a Áustria, que dominava a Sérvia, era o principal reino) que instaurou um inquérito, nomeando como responsável o cirurgião do Regimento de Campo Johannes Flucklinger. Este chegou à Medvegia, começou as investigações, terminando por abrir a sepultura de Milo. Para horror de todos, o corpo de Milo estava em estado idêntico ao de Paole, levando a conclusão de que um novo vampiro atacara. Após destruírem o corpo de Milo, Flucklinger tratou de descobrir como um novo surto de vampirismo pode acontecer após a destruição de Arnold Paole. Uma suposição tornou-se oficial: Paole teria sugado o sangue de diversas vacas em fazendas locais. Os que comeram da carne delas teriam se tornado vampiros. Flucklinger ordenou que todos os túmulos recentes fossem abertos para investigação. Das 40 covas abertas, 17 continham corpos com aparência vampírica. Não por coincidência, 17 eram os mortos com sintomas de vampirismo. Esses corpos foram esfaqueados e queimados, e um relatório completo foi enviado a Viena para apreciação do imperador em 1732. Logo em seguida, esse mesmo relatório foi publicado e tornou-se um best seller, atraindo as atenções de toda a Europa para a região eslava.

O assunto chegou às universidades alemãs, onde grandes discussões foram travadas sob a possibilidade real da existência de vampiros. Dez anos mais tarde, a maioria concordou que isso não era possível. O assunto continuou chamando a atenção de estudiosos, como o francês Dom Augustin Calmet, acadêmico católico que reuniu uma longa pesquisa sobre os casos de vampirismo em um livro que também se tornou sucesso de vendas na Europa. Sua obra, porém, serviu para disseminar uma confusão que desviou a atenção popular da Sérvia e dos povos eslavos para a Hungria. Como a Sérvia sob domínio austríaco havia sido incorporada à província húngara, este ficou com fama de “lar dos vampiros” mesmo que a Hungria jamais tivesse qualquer tradição e folclore a respeito destes seres. Calmet, apesar do sucesso popular de seus livros, foi ridicularizado tanto por intelectuais quanto por religiosos por ter levado os vampiros a sério. Mesmo estabelecendo um olhar crítico severo sobre os relatos, ele não conclui expressamente que estes eram falsos, abrindo claramente a possibilidade de serem reais.

As reações oficiais aos surtos vampíricos passaram a ser mais severas. Na década de 1750, a imperatriz Maria Tereza criminalizou a profanação de túmulos, deixando a punição com as autoridades seculares, em vez das religiosas. Enquanto isso, as Igrejas da Sérvia e de Montenegro ameaçavam de excomunhão os padres que auxiliassem as mortes de supostos vampiros, já que se acreditava que os serviços fúnebres, incluindo as preces, deveriam ser repetidos durante a morte do vampiro para que a alma encontrasse paz.

Voltaremos amanhã! Um abraço noturno!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O VAMPIRO DOS POVOS ESLAVOS

por Ricky Nobre

Continuamos nossa Semana dos Vampiros. Ontem falamos sobre os vampiros nas antigas civilizações, nas mais remotas concepções deste mito registradas na história das culturas. Agora, começaremos a falar das crenças e relatos que originaram o vampiro como o conhecemos hoje. O povo que presenteou a cultura mundial com os elementos vampíricos tão conhecidos hoje em dia foram os eslavos. Este povo se espalhou por todo o leste e centro europeu, tendo origem provavelmente dos povos ao norte do Mar Negro. Entre os países criados por estes povos estão a Croácia, Bósnia e Herzegóvina, Macedônia, Bulgária e Sérvia.

A Igreja Católica começou sua campanha de expansão entre os eslavos no século IX, tendo alcançado grande êxito até o fim do século X. Houve, porém, uma longa disputa política e administrativa entre a Igreja Ortodoxa do leste e a Igreja Romana, ocorrendo uma divisão oficial em 1054. Búlgaros, russos e sérvios aderiram à Igreja Ortodoxa, enquanto poloneses, tchecos e croatas permaneceram fiéis à Igreja Romana. Os conceitos de vampiros e como eles se desenvolveram foram amplamente afetados por este evento, uma vez que as crenças de cada igreja eram antagônicas. A Igreja Romana acreditava que quando o corpo permanecia incorruptível após a morte, este seria um sinal de santidade, enquanto a Igreja Ortodoxa atribuía esse evento ao descontentamento de Deus em relação ao morto, abrindo uma possibilidade desta se transformar em vampiro.

Cada povo, em sua respectiva língua, desenvolveu palavras para designar o vampiro, mas todas parecem ter origem no termo opyri, das mais antigas tribos eslavas. Entre as variações, a mais parecida com o nome popularizado na atualidade vem do búlgaro vampir. Em sua origem, o vampiro eslavo não era um símbolo do mal, mas uma forma de explicar acontecimentos e doenças imprevistos e outros destinos trágicos aparentemente não merecidos pela vítima. Ele não era criado por contato com outro vampiro, mas por algum problema durante a morte, sepultamento ou nascimento. Vítimas de acidentes violentos ou suicidas poderiam se tornar vampiros. Falha nos rituais de sepultamento ou morrer em estado de excomunhão também poderiam ser causas da transformação. Crianças concebidas em determinados dias do ano em que a atividade sexual era condenada pela cultura eslava eram também vampiros em potencial. Uma criança morta antes de ser batizada poderia se tornar um tipo de vampiro chamado ustrel, que atacava e bebia o sangue de ovelhas e vacas. Outros possíveis vampiros eram crianças que nasciam com dentes ou com uma membrana na cabeça.

O vampiro nascido de um destes acontecimentos tinha hábitos recorrentes. Geralmente, eles atacavam sua própria família, vizinhos, amigos ou pessoas com as quais tinham negócios inacabados. Neste caso, ser atacado poderia sim tornar alguém um vampiro. O medo popular destes ataques gerou uma série de procedimentos que visavam evitar que um falecido se transformasse. O defunto poderia ser enterrado com os mais diversos elementos, sendo o crucifixo o mais popular de todos, assim como a sorveira, uma planta que evitava que um vampiro levantasse do caixão. Encher o caixão com sementes e também espalha-las pelo caminho do cemitério também era comum, pois o vampiro em potencial não resistiria a contar lentamente todas as sementes antes que fazer qualquer outra coisa. Métodos mais radicais incluíam atravessar o corpo com uma estaca de madeira ou de ferro.

Como foi dito, tragédias e infortúnios da vida eram atribuídos aos vampiros. Mortalidade de ovelhas e gado, atividades de poltergeists, ataques de succubus ou incubus, o aparecimento de um espectro de pessoa morta recentemente, morte ou doença súbitas após a morte de um parente ou amigo, grandes epidemias, tudo isso era, estranhamente, culpa dos pobres vampiros! Não raro, a população saía a caça do ser noturno, exumando corpos, preferencialmente de pessoas mortas até quarenta dias antes. O corpo de um vampiro podia ser identificado pelas juntas flexíveis, cabelos ou unhas crescidas ou sangue escorrendo pela boca ou outros orifícios. Para destruir o vampiro identificado, uma estaca de madeira ou ferro era enterrada na cabeça, coração ou estômago, podendo também ocorrer decapitação. Esses procedimentos podiam ser acompanhados pela repetição dos rituais fúnebres por um padre, utilização de água benta e até mesmo exorcismo.

Amanhã falaremos mas detalhadamente dos eslavos do sul, e dos mais famosos casos reais de vampiros registrados: os de Peter Plogojowitz e Arnold Paul. A histeria anti vampiros geradas por estes incidentes levaram autoridades estatais e religiosas a proibirem a caça aos vampiros, violação de túmulos e mutilação de cadáveres. Até amanhã!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

OS VAMPIROS NAS ANTIGAS CIVILIZAÇÕES

por Ricky Nobre


Iniciamos hoje nossa Semana dos Vampiros. Apresentaremos diariamente matérias curiosas sobre vampiros nas mais diversas culturas e épocas. Na sexta feira, dia 13 de agosto, é o Dia dos Vampiros, e teremos uma promoção bacanas para nossos leitores. Vamos começar falando dos vampiros nas antigas civilizações.

O vampiro é o mais popular, fascinante e cultuado monstro do imaginário mundial. Desde suas origens nas lendas antigas da Grécia e Malásia, passando pelos casos inexplicáveis registrados na Europa, até o grande boom literário inaugurado com Drácula de Bram Stoker e a contribuição cinematográfica para inserir este ser da noite definitivamente na cultura pop, o vampiro foi sendo lentamente construído com pedaços de folclore, mitologia, misticismo, religião, ficção, realidade e uma boa dose de sede por sangue, não por parte dos vampiros, mas por parte do povo. O mito do vampiro nasceu de forma independente em diversas regiões do planeta em diferentes épocas, muitas vezes se fundindo umas às outras originando, enfim, a “cara” do vampiro moderno.

Provavelmente o mais antigo mito vampírico vem da Grécia antiga, em cuja mitologia podemos encontrar algumas criaturas, sendo que a principal delas é o lamiai. O nome lamiai origina-se de Lamia, uma rainha líbia que era amada por Zeus. Enciumada, sua esposa Hera despejou sua ira sobre Lamia, tirando a vida de todos os seus filhos, que tinham Zeus como pai. Incapaz de se vingar diretamente, Lamia refugiou-se numa caverna e atacou os filhos de mães humanas, bebendo o sangue das crianças. Essa prática a transformou em um monstro, com o corpo deformado, sendo que a parte inferior era em forma de serpente. Um pé era feito de latão e o outro de um animal, como bode, boi ou jumento. Essa história deu origem às lamiai, seres demoníacos que se alimentavam do sangue de crianças, mas que também podiam assumir a forma de belas jovens para atrair e atacar homens fortes.

Outros vampiros gregos são as mormolykiai, bem semelhantes às lamiai. Seu nome vem da história de Mormo, mulher que devorou os próprios filhos. Temos também as empusai, também vampiras em forma de mulher. Todas essas não são os clássicos vampiros que se levantam após a morte, mas sim entidades demoníacas com sede de sangue. A cultura grega, porém, tinha sua versão vampiro como morto-vivo: os vrykolakas, nome cuja origem vem dos eslavos do sul e significa “pessoa que veste pele de lobo”, referindo-se à crença eslava de que um lobisomem tornava-se um vampiro depois de morto. Em algumas histórias dos vrykolakas, os mortos-vivos não traziam mal algum aos vivos, voltando apenas para resolver problemas inacabados. Outras histórias dão conta de pessoas que voltam da morte e se estabelecem em locais onde não são conhecidos e constituem família. Alguns motivos eram dados como básicos para uma pessoa voltar da morte: uma maldição imposta por um dos pais, atos malignos ou desonrosos cometidos contra a própria família, morrer de forma violenta ou ainda não ter sido enterrado. A associação dos mortos vivos aos vampiros ocorreu só após o primeiro milênio da Era Cristã, quando concretizou-se a grande expansão da Igreja Católica na Grécia, Romênia, Rússia e entre os povos eslavos do sul, o que gerou a fusão das diversas crenças desses povos. Desta forma, o pacífico morto-vivo grego tornou-se o vampiro sedento de sangue dos romenos e eslavos.

Muito semelhante às lamiai gregas são as langsuyar da Malásia. A lenda se origina de uma mulher de beleza fora do comum que perdeu o filho no momento do parto. A tragédia fez a pobre mãe se retorcer violentamente, para então bater palmas e voar até uma árvore próxima. Ela seria vista de tempos em tempos trajando vestes verdes, as longas unhas que eram o padrão de beleza dos malaios e longos cabelos negros até o chão, que escondiam um orifício no pescoço por onde sugava o sangue de crianças. Se uma mulher morria no parto ou até quarenta dias após, acreditava-se que ela poderia se tornar uma langsuyar, o que podia ser evitado colocando vidro na boca, ovos nos braços e agulhas nas mãos. Uma langsuyar podia ser domesticada, se alguém conseguisse cortar seus cabelos e unhas e enfiá-las no buraco do pescoço. Ela podia até casar e ter filhos, como acreditava-se que acontecia com algumas desconhecidas que chegavam nas vilas. Mas elas podiam retomar suas forças e voltarem às suas práticas, o que costumava acontecer ao dançarem em festas na vila. Outra figura vampírica da Malásia era o pontianak, que nada mais era do que a criança que morria no parto, que assumia a forma de uma coruja. Os mesmos rituais usados com a mãe eram usados com a criança para evitar a transformação.

Existiu também histórias envolvendo as penanggalans, que tiveram origem no conto sobre uma jovem que participava de uma cerimônia de penitência. Ela estava sentada sobre um grande barril de vinagre e foi surpreendida por um homem que perguntou o que ela estava fazendo. O susto foi tão grande que a cabeça se separou do corpo, carregado o estômago junto. Essa cabeça arrastando o estômago atrás de si se tornou um espírito maligno, e aparecia nos telhados das casas onde haviam crianças recém nascidas para sugar o sangue delas. Acreditava-se que esse espírito podia possuir uma mulher, transformando-a numa feiticeira, capaz também de separar a cabeça do corpo para se alimentar de sangue dos vivos e também dos mortos. Esta idéia é semelhante às de outras culturas que também relacionavam os vampiros às bruxas. Tanto que uma versão alternativa da origem de uma pernanggalan diz que ela nasce quando uma bruxa evolui a ponto de aprender a voar. Assim, com a cabeça voando com os intestinos pendurados, procura não apenas o sangue de crianças recém nascidas, mas de mulheres em trabalho de parto.

Na Roma antiga, temos novamente as bruxas relacionadas a vampiros na figura das stregas. Elas se originaram do strix, espírito maligno que atacava à noite, sugando o sangue de crianças. As stregas eram bruxas que tinham o poder de se transformarem em pássaros e voarem durante a noite à procura de sangue humano. Acreditava-se que queimar ou canibalizar corpos de stregas seria a forma de se livrar delas para sempre. No século IX, Carlos Magno proibiu essa prática, punindo-a com a morte, tentando conter os crescentes casos de mortes de pessoas acusadas de bruxaria e vampirismo. Alguns séculos mais tarde, a caça às bruxas seria institucionalizada pela Igreja Católica, e a vampirização de bebês permaneceu oficialmente como a característica de uma bruxa, muito embora a Igreja negasse veementemente a existência de qualquer espírito, entidade ou outro ser proveniente de culturas pagãs, explicando qualquer fenômeno como sendo obra de Satã.

Paralelamente a isso, nas Américas, temos Camazotz, o deus das cavernas da cultura maia. Sendo o lar natural dos morcegos hematófagos, era natural que surgissem lendas baseadas nesse animal capaz de beber o sangue de animais e humanos de forma tão suave que sequer acorda a vítima. Camazotz era um homem-morcego de grandes dentes, nariz afiado e grandes patas. Era muito temido não só por sua sede por sangue mas por levar perigo às plantações de milho.

Na cultura asteca temos diversas figuras que cercavam a “mãe terra”, todas sedentas por sangue, como Tlalteuctli, em forma de sapo, Coatlicue (saia de serpentes), Itzpapalotl (borboleta obsidiana) e Cihuacoatl (mulher serpente). Esta última tinha aparência aterrorizante, mas podia assumir a forma de uma bela jovem para atrair rapazes. Mas era a cihuateteo que se aproximava às vampiras nascidas em outros continentes. Novamente, eram mulheres que morriam no parto, que atingiam os status de guerreiras por terem enfrentado as dores do parto e morrido lutando. Elas vagavam à noite atacando crianças, e a luz do sol poderia matá-las. Mais tarde surgiram as tlahuelpuchi, já no período após a devastação da cultura asteca pelos espanhóis. Essa figura mesclava divindades astecas à figura da bruja espanhola, muito semelhante à strega romana. Sendo assim, a tlahuelpuchi era a mulher com poder de se transformar em animal e sugava o sangue de recém nascidos. Ela já nascia bruxa e a descoberta dos poderes de dava após a primeira menstruação. A utilização de alho junto às crianças era uma forma de repelir as tlahuelpuchis.

Os africanos também tinham suas figuras vampíricas. O obayifo também era um bruxo, capaz de sair de seu próprio corpo à noite e viajar como uma bola de luz e também atacava crianças para sugar o sangue. Cada região dava diferentes nomes a esses bruxos que possuíam poderes e hábitos muito semelhantes.

É imensamente curioso notar que diversas culturas desenvolveram o mito do vampiro em torno da mortalidade infantil, da pureza do sangue e do trauma materno, sem que jamais tenham entrado em contado uma com a outra, como os gregos e os astecas. Mas o vampiro moderno nasceu mesmo do vampiro eslavo e romeno. Mas estes nós conheceremos na próxima matéria. Um abraço noturno e até lá!